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A minha
grande jornada, porém, só começou quando um amigo
de meu pai, Capitão Castro, então funcionário
da Secretaria de Educação do Estado do Rio de
Janeiro em Niterói, soube que eu estava recém-formada
e conseguiu que fosse criada para mim uma escola,
na localidade Parque da Estrela, hoje Imbariê,
3º distrito de Duque de Caxias, que na época pertencia
ao Município de Nova Iguaçu, o qual estava no
início de seu desenvolvimento.
Havia no local poucas residências e um comércio
muito reduzido, que constava apenas de uma padaria,
um botequim, uma farmácia, um armazém. Havia também
no local uma igreja apenas iniciada. Existia uma
Companhia Imobiliária denominada Americanópolis,
de propriedade do Dr. Afonso de Oliveira Santos,
responsável pelo primeiro loteamento do lugar.
Esta empresa construíra um prédio que doara ao
Estado para que se instalasse nele uma escola.
Logo foi criada a Escola Estadual no Parque da
Estrela, tendo sido nomeada para dirigi-la, com
publicação no Diário Oficial do dia 09 de maio
de 1928. Alguns dias antes da inauguração, visitei
em companhia de meu irmão Murilo Teixeira de Paiva,
todos os lares da localidade e adjacências, ou
seja, Taquara, Parada Angélica, Morabi, Coqueiro,
Meia Noite, Estrada Velha, Inhomirim, etc.
Convidamos os pais e convencendo-os da necessidade
de matricularem seus filhos na escola que estava
sendo criada, conscientizando-os dos benefícios
da instrução.
Enfim, aproximava-se o dia feliz em que a centelha
do saber seria lançada na mente deste povo humilde,
mas valoroso. E aconteceu que no dia 12 de maio
de 1928 foi solenemente inaugurada a Escola Estadual
do Parque da Estrela, com a presença do representante
do Sr. Diretor de Construção, do Estado do Rio
de Janeiro, Dr. Higino Reis, do Inspetor Escolar
Regional Professor Mário Campos, do Diretor de
Imprensa do Jornal de Nova Iguaçu e de outras
autoridades. Estes dados encontravam-se arquivados
em ata na Escola Estadual Dr. Alfredo Backer.
No início, os alunos eram poucos, muito carentes
de recursos materiais e de saúde precária, pois
a malária infestava a região.
Eram, por estes motivos, faltosos e muitos apresentavam
grande dificuldade na aprendizagem. A situação
era deveras desanimadora, mas contava-se sempre
com a proteção divina, até que em 1930, foram
iniciadas, pelo Governo do Estado, as obras de
saneamento da Baixada Fluminense. Fora criado,
também, na localidade, um Posto Médico, de maneira
que todas as semanas contávamos com assistência
médica e distribuição de remédios. Esta atitude
do Governo foi muito salutar, diminuindo assim
o surto de impaludismo e melhorando a qualidade
de vida dos humildes moradores.
Com a instituição do Círculo de Pais e Professores,
houve um melhor entrosamento entre mim e os pais
dos alunos, resultando daí um proveitoso rendimento
escolar. Diante da situação calamitosa, por causa
da insalubridade, que ainda existia, nenhuma professora
queria arriscar-se a trabalhar no Parque da Estrela.
Mesmo assim, trabalhando sem adjunta, enfrentando
todas as dificuldades, pois só existia um trem
na parte da manhã e outro à noite, com parada
especial, para o meu embarque e desembarque, imposta
pelo Sr. Ministro da Viação ao Diretor da Companhia
Estrada de Ferro Leopoldina Railway.
Permanecia, conseqüentemente, na localidade durante
o dia inteiro, sem poder beber água, pois lá não
existia água potável, saciando minha sede com
caldo de cana e lima-da-pérsia, oferecidos pelos
alunos; enfrentando sem dúvida uma grande luta,
lecionando para três séries diferentes, alfabetizando
e desempenhando, além disso, minhas atribuições
como Diretora da Escola.
O número de alunos logo aumentou, de modo que
o pequeno prédio já não mais comportava. Afinal,
pela providência Divina, apareceu o Sr. Armando
Genovese, proprietário da Empresa Imobiliária
da Vila Ema, que era amante do progresso e muito
interessado pela situação do ensino. Conseguiu
da Prefeitura Municipal de Duque de Caxias, a
construção de um prédio, num terreno que ele próprio
gentilmente cedeu, situado na praça Ernane do
Amaral Peixoto. No prédio recém- construído, foi
inaugurada no dia 19 de abril de 1945, a Escola
Estadual de Imbariê, atual Escola Estadual Dr.
Alfredo Backer. Neste novo prédio trabalhei durante
três anos. Vinte anos se passaram de trabalho
e dedicação , nesta pequena localidade, que no
decorrer do tempo, já havia atingido algum desenvolvimento.
Durante aquele período de minha vida, também empreguei
meu tempo em obras de caridade, dando socorro
aos doentes e levando ao povo a prática da religião
cristã. Através de esmolas, auxiliada por parentes
e moradores da localidade e por pessoas piedosas
das localidades vizinhas, apoiada pelo virtuoso
vigário Frei Cândido Spanagel da O.F.M. concluímos
a igreja de Nossa Senhora da Estrela, ainda hoje,
padroeira de Imbariê.
Em 1948, fui transferida para Raiz da Serra de
Petrópolis, lugar onde morava, para dirigir a
Escola Estadual nº 13.
Fui aposentada pelo Governo Estadual com vinte
e cinco anos de trabalho no Estado.
Ainda jovem fui, então, convidada pelo
Sr. Coronel João Correa dos Santos para dirigir
a Escola Duque de Caxias, pertencente à Fábrica
da Estrela do Ministério do Exército. Aos setenta
anos de idade fui aposentada pelo Governo Federal,
no dia 30 de março de 1976.
Guardo ótimas recordações do meu tempo de serviço
e agradeço a Deus a oportunidade de reviver nessas
linhas, os anos felizes de minha existência, dedicados
ao ensino, contribuindo para a formação das crianças
da minha querida Pátria.
Vila Inhomirim
– RJ, 25 de fevereiro de 1982
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Em agosto, pelo ato nº 1 e publicado a 11 de agosto
de 1962, fui designada para a função de Dirigente
do Grupo Escolar Dr. Alfredo Backer, de 4ª categoria,
situado na Praça Ernane do Amaral Peixoto, em
Imbariê, 3º distrito de duque de Caxias, pelo
Decreto 6.000 de 24 de abril de 1958, publicado
a 25do
mesmo mês e ano. Pelo artigo 1º a denominação
dada ao G. E. de Manejo, em Resende, passa a pertencer
à nova Unidade. Pela Portaria 2200 de 13 de novembro
de 1962 e publicada a 21 do mesmo mês e ano foi
elevada a 3ª categoria e pela Portaria 761 foi
elevada a 2ª categoria, de acordo com o artigo
68 da SEC.
Era uma escola considerada pequena: duas salas
de frente e duas atrás, voltadas para a praça.
Com o passar dos anos e a procura desordenada
por vagas, apesar das modificações feitas na escola,
havia a necessidade de mais espaço, razão pela
qual o Estado construiu um novo prédio na rua
D, atual Goiandira, para onde fomos transferidos
em meados de 1971. Depois de muitos anos de dedicação
e lutas, com um professorado capaz, uma equipe
responsável, um celeiro de grandes mestres e ótimos
educadores.
Consciente do dever cumprido e certa da continuidade
do meu ideal, aposentei-me em 02 de setembro de
1988, de acordo com os artigos 214 e 219 do Decreto
2479 de 08 de março de 1979.
Imbariê,
08 de outubro de 2004.
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